Apresentando: Sol Fatguy (Streamer)

Introdução

Fagner, é streamer, designer e um aficionado por nerdices muito obscuras, disponíveis nas cavernas mais inóspitas da internet, fato que o torna grande conhecedor de jogos e animes desconhecidos, sendo uma ótima fonte de indicações, mas vale avisar que principalmente em jogos a indicação frequentemente só está disponível em japonês e é uma quest por si só achar o download e instalar (exagero de minha parte, ou não).

Seu nick Sol Fatguy, é uma referência ao personagem Sol Badguy, da franquia de jogos de luta Guilty Gear, durante as transmissões nós costumamos chamá-lo apenas de Sol.

Suas lives são focadas em jogos, mas acontece de ter live montando kits de plastic model com certa frequência, prática que não só é interessante e relaxante de se assistir, porém, que também, abre mais espaço para a interação por meio do chat.

Por ser designer e trabalhar nas mais diversas categorias da profissão, ele possui maestria em idealizar, produzir e aplicar elementos visuais, tornando sua live uma das mais bonitas da plataforma, recomendo testarem as recompensas no chat da Twitch e também observar os layouts da stream, são um deleite.


Sol tem como avatar, Frendner, o personagem fofinho que está representado ao longo do artigo, ele é muito amado pelos espectadores, que adoram suas interações, sejam animadas ou estáticas. Ele é o nosso querido goblin que vive no lixo, lixo esse que é parte essencial da comunidade.

Além das gameplays de dungeon crawlers muito antigos, boomer shooters e jrpgs que até mesmo os mais entendidos do chat desconhecem, temos também os kuso (termo em japonês para coisas mal feitas) games, comumente mais encontrado como kusoge. Estas porcarias aparecem muito na live, já que o Sol tem um "estômago" muito resistente para tais experiências, temos um grande evento para celebrar obras do tipo na live, a lendária kusoge roulette, onde a comunidade pode resgatar tickets comprados por pontos do chat da Twitch e sugerir atrocidades que serão sorteadas para serem jogadas durante a transmissão do evento.

Pessoalmente brinco muito sobre a prática de se "torturar" jogando kusoge, mas a verdade é que acho incrível existir conteúdo sobre isso, afinal toda forma de arte tem suas ditas "falhas" e estas também merecem ser preservadas e culturalmente celebradas, afinal estes ditos jogos ruins também fizeram que os bons ocorressem e muitas vezes são considerados ruins por tentar inovar, falhando por falta de recursos ou má execução mesmo, alguns não erram em tudo e mantém mecânicas realmente boas que infelizmente morreram junto a um jogo que não foi bem-sucedido, então se você considera jogos arte e uma expressão cultural que deve ser valorizada como as demais, venha para o lado kusoge da força!

Para resumir a comunidade que se formou ao redor deste conteúdo, geralmente são pessoas mais "nerds" que o comum, principalmente em relação a jogos e cultura popular japonesa, são apaixonados por se desafiar em jogos dificéis e por compartilhar obras desconhecidas, boa parte tem inglês e japones como segunda e terceira línguas. É a comunidade que mais se assemelha a seu streamer, em relação as que tive contato.


Entrevista

1. Quando surgiu em você a necessidade de explorar jogos para muito além do que é considerado popular?

R.  Rapaz... chegou uma época que tudo o que eu jogava estava ficando chato e mesmice sabe? Nenhum lançamento me deixava animado e até mesmo as séries que eu gostava pra caramba, tipo Final Fantasy, começaram a ir para direções que eu não gostava tanto. Acho que nessa época do Playstation 2 foi quando eu comecei a me enfiar nesse buraco de jogo bizarro e desconhecido e depois disso o meu amor pela mídia voltou forte pra caramba.

2. Por favor, defina kusoge para os leitores do blog.

R.  Tá ligado aquele pão velho com manteiga ruim, mas que tu coloca um pedacinho de queijo e fica perfeito? Kusoge é esse sanduiche. É um jogo falho e com muita coisa ruim, mas tu sempre vai achar uns pedacinhos absurdos de bom que faz a experiência valer a pena. Ou tu só vai perder a sanidade e continuar a jogar ele esperando que essas partes boas apareçam mais vezes...

3. Este é o momento para espelhar a palavra dos robôs gigantes, indique um jogo e um anime na temática para novos fãs do gênero, aproveite para compartilhar um pouco sua história com os nossos amados “mechas”.

R.  Meu amigo, foi meio que tipo a epoca que me meti nos jogos bizarros sabe? Quando era mais novo eu via todo tipo de anime duvidoso que tu podia imaginar e tava ficando com aquela sensasão de tudo ser igual e parecido sabe? (Que né, considerando os slop que eu via não tava errado) ae eu conheci "Mobile Suit Gundam: The 08th MS Team" e a série de jogos de Super Robot Wars e foi aí que eu me meti nesse universo! E essas são as indicações também, MS 08th Team é curtinho e gostoso de ver e SRW é um jogo tático bomzão com muito carisma e que os desensolvedores, em boa parte, colocaram muito coração na criação.




4. Esta pergunta já virou padrão nesta série, mas dentre os aspectos que mais chamam atenção entre os produtores que tratam jogos como uma manifestação cultural, é a comunidade que se forma em torno deles, como você enxerga a sua?

R.  Eu fico feliz pra caramba com o bando de bizonho que o canal uniu viu? Tem todo tipo de gente bizarra: fã de gacha, fã de waifu, fã de mecha, jogador de MOBA e até mesmo fã de Kingdom hearts! E pior ainda... TEM EU! Mas de coração eu fico feliz com o tanto de gente fina que aparece e apesar dos gostos diferentes de geral, a negada sempre fica na boa e bate os papo doido durante e fora das stream.

5. Sabemos que diversos estilos de jogos são considerados datados, portanto são ignorados como algo que evoluiu e não deveria existir mais, assim como os DRPGs, indique jogos deste estilo e de outros considerados “ultrapassados” e destaque a importância de manter estes gêneros vivos.

R. Uma coisa que eu sempre falo desses jogos considerados datados e até mesmo DRPG em especial é aquela onda de usar a nossa imaginação sabe? Tá certo que o jogo ser limitado não é um positivo do jogo, mas eu sempre acho incrível como esses jogos fazem você imaginar a sua equipe explorando um mundo diferente e perigoso, sempre procurando tesouros e enfrentando perigos sabe! Eu acho que é uma coisa que todo jogador hoje em dia perdeu um pouco e deveria tentar reaver esse sentimento sabe? E também a dificuldade é algo que eu gosto muito hehehehe

6. Plastimodelismo foi algo bem popular algumas décadas atrás, porém era mais comum com figuras de aviões e tanques, a cultura pop japonesa tem esse hobbie ainda muito forte, principalmente nas figuras de mechas, como você se interessou em montar “gunplas”? Por favor, comente alguns aspectos que lhe interessam na prática para quem sabe convencer novos e antigos fãs do plastimodelismo a montar robôs gigantes (em miniatura).

R.  Uma coisa que eu amo em plastimodelismo sempre é a ideia de você fazer algo seu, sabe? Você customizou aquele avião, você montou o tanque e por aí vai. Acho que os plastic models de robo deixa essa liberdade ainda mais na cara! Muita gente que monta kit militar sempre é bem durona em customização, mas em kits de mecha o pessoal é mais de boa! Também foi um hobbie que me ajudou muito em epocas dificeis então tenho um carinho absurdo por ele sabe? Não é dficil e é bem mais barato que comprar action figures viu pessoal! TENTEM!

                                                            



7. Por quais motivos você tem mania de jogar jogos de luta com bonecos low tier?

R.  Irmão não é, eu que vou até o low tier. É o low tier que vem até a mim.
Na real eu não sei viu? É que parece que os low tier sempre tem um gameplay mais interessante e fora do padrão né? Por que diabos que vou jogar com um Ryu genérico no.39287623 quando eu posso jogar com um grappler que usa dois tacos de madeira e se bufa usando o poder do vento!? Claro que existem jogos com top tiers interessantes com mecanicas e game plans legais, mas parece que nos jogos modernos isso foi abandonado.

8. Levando em conta que o intuito desta série de entrevistas é valorizar jogos enquanto manifestação cultural e que você é alguém que leva a mídia a sério neste aspecto, porém ser chato, como muitos acabam sendo, nos dê motivos para levar jogos e sua preservação um pouco mais a sério, assim como cinema e literatura e seus fãs mantém uma preocupação e discussões frequentes sobre suas respectivas mídias.

R.  Sempre fico pensando em como os criadores das obras trabalharam para criar aquilo, sabe? O pessoal que ficou escrevendo código, criando o mundo, desenhando os personagens e fazendo todas as peças se encaixar naquele joguinho que a gente fica passando o tempo naquele mundinho se divertindo. Quando eu penso nessa onda toda é meio %*# deixar tudo isso se perder por que um engravatado não libera direitos de X coisa no jogo né?

Ainda mais quando a gente pensa em jogos de regiões que não são um powerhouse em criação de jogos mais. Eu vivo falando da Coreia e da China nesse aspecto e fico surpreso o quão pouco de gente sabe de como essas regiões eram gigantescas e inspiraram muitas outras séries hoje em dia hahahah (Prometo não falar de Arcturus e Trails in the Sky Joe.)




9. Como jogos impactam em sua expressão artística?

R.  Muito! Acho que a gente se expressa muito do que a gente é com nossos hobbies? Então vendo o que eu jogo... eu devo ser um esquisitão que fica caçando coisas obras bizarras debaixo de cada pedra por aí... E SIM ESTÁ CERTO!

10. Quem é Fagner para além de seu trabalho, paixão por games e cultura pop japonesa? Comente alguns outros aspectos de sua personalidade que não costumam ser abordados nas lives, gostos, passatempos e afins.

R.  Acho que o pessoal me vendo na stream não deve imaginar que eu curto coisas mais calmas tipo crochê, cozinhar e tal hahahaha
Sempre que falo que sou quietão também no geral e meu background de UI/UX é uma outra onda que eu falo sempre com exemplo de jogos e tal, mas trabalhei um bocado com isso hahahahaha (Juro que nem sempre sou um esquisitão falando de robozinhos viu. Mas sempre tento ser!)
Conclusão 

Sol é uma figura muito amigável e isso se reflete em seu público, que por mais experientes que sejam, não são tóxicos, então sintam-se a vontade para aparecer por lá, não é raro ter jogatina online com a galera inclusive, claro, de jogos super desconhecidos e antigos ( é meme, ou não).

Interagir com a comunidade do Fagner e do Mandaloris, me tem feito conhecer muita coisa "nova", principalmente de jogos e animes, por influência de conviver com essa galera voltei a estudar japonês, fica também essa dica caso queira começar ou melhrar no idioma, sempre surgem dicas sobre.

Todas as artes da postagem são produções de Sol_Fatguy e foram cedidas de seu acervo utilizado na stream, ele trabalha com comissões na área de design, então se você quer uma arte para adornar seus perfis ou um projeto inteiro de identidade visual para lives, sites, redes sociais ou qualquer coisa que envolva arte personalizada, fale com o Fagner, valorizar nossos artistas também é cuidar da comunidade.



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